Távola De Estrelas: Agosto 2013

Távola De Estrelas

Poesia Do Céu Da Boca

* Sempre DS*SD erpmeS *

Távola De Estrelas, Poesia Do Céu Da Boca, Para Mastigar Devagarinho, Deve Ser Servida À Noite E Acompanhada Dum Bom Vinho Tinto...

Meu Amor

Postado: Luíz Sommerville Junior On domingo, agosto 25, 2013 0 Carinhos de Luxo


Meu amor
detesto quando banalizam o teu nome
quantas palavras chamam por ti, meu amor?
quanto o meu que é teu te faz sentir amada?
tenho horror à vulgarização do eu que te chamo
como tantos outros pseudo-poetas
que escrevem milhares de versos
iguais a outros tantos milhares de versos
que tantos outros ao longo da história já escreveram!...
E...
nestas duas palavras, meu amor
que ninguém as diz como eu
que ninguém as escuta como tu
há uma expressão tão nossa - tão tua ! -
que por mais comum que seja
por mais que biliões de pessoas
a acertem ou errem
eu não encontro outra mais bela
meu amor



À Dani com amor


Luíz Sommerville Junior, madrugada de 25082013

Imagem Paris Je T´Aime , editada por LSJ


"No Princípio Era O Verbo"

Postado: Luíz Sommerville Junior On sexta-feira, agosto 23, 2013 0 Carinhos de Luxo


Quisera escrever aqui

o dia em que todas as palavras morreram

e não há no universo inteiro

cemitérios que bastem para as enterrar

nem velórios que honrem tão triste desaparecimento

acreditem ou não

a soma de todos os vocábulos é superior a tudo

por tal razão sepultaram a palavra vida

junto à sua lápide coloco uma flor silvestre , dedicada !

e ... espero ... em esperança , a ressurreição

dum novo dicionário ! ...




Luíz Sommerville Junior , 230820130043


A Mão Que Baptiza A Chuva

Postado: Luíz Sommerville Junior On domingo, agosto 11, 2013 1 Carinhos de Luxo

Acordei
com um aguaceiro
ao alto do topo avermelhado , beiral !
finos fios d´água
cabelos cristalinos das nuvens
molham com pão azul, diamante !
o haver visão , quente !
sobre a recta do ângulo , horizonte !
o fogo brando adormecendo na travesseira , do caminho
incendiando o despertar do lado que não deseja acordar
afivelando o ir ao vir , virando o rumo !
puxando ...
o singelo barco para o porto
onde o ondular do quero partir
para chegar e ser maré
corre atrás dum côro de peixes
cardume de vozes , ensaio final !
daqui a pouco, a chuva no baile de debutante
da primeira noite , da primeira virgem
cederá o lugar , ao primeiro nascimento
que será o segundo e o terceiro
todos juntos , unidos
no telhado da primeira palavra ,
estendal duma mão cheia de esperança
e outra mão plena d´alegria
entoando ...
uma trovoada de verbos erguidos

Sim, acordei
com um aguaceiro pincelando gaivotas na âncora

sim , chove para cima !




À Dani




Luiz Sommerville Junior, Set 2010 in Luso Poemas e Távola De Estrelas


És Minha Irmã

Postado: Luíz Sommerville Junior On domingo, agosto 11, 2013 0 Carinhos de Luxo




Amo a alma perfeita por te querer
podes sossegar neste meu me entregar
e nada mais desejar para o meu viver
a não ser a tua mão razão deste idolatrar

Que dos mundos sigo descuidado
livre nesta canção da tua vida
e deles rejeito a maldade, o pecado,
e proclamo a bondade tão desconhecida...

Que importa a guerra ou a hipocrisia do fanatismo?
ou a perigosa tirania do dinheiro?
se possuo a paz, a justiça e a verdade?

Juro, flor desta calma de ribeiro em dia de baptismo
tudo de ti colherei como o mais devoto jardineiro
em prece, aos pés do vestido que é a minha trindade


LSJ, 2608201017:11,  in Luso Poemas e Távola De Estrelas


Dallavechia´s Photo SlideShow

Postado: Luiz Sommerville Junior On quarta-feira, agosto 07, 2013

Fotos, Art Computer, Edição e Criação de Arquivo Flash (c) Dallavecchia´s Photo


Desastre

Postado: Luíz Sommerville Junior On segunda-feira, agosto 05, 2013 1 Carinhos de Luxo


Morreu ontem
quando o relógio caiu ao chão
por culpa duma asa que se libertou do tempo
foi triste de ver
a maquinaria desfeita, peças desorientadas, estateladas
implorando por um minuto certo
naquele espaço sem consequência e sem acerto
quando o tempo se faz desastre
para onde vão os fragmentos da vida?
pedaços de gerações alinhados no guarda-roupas?
anos de tristezas e alegrias aprisionados numa caixinha de jóias?
dias memoráveis encaixotados num baú
e despachados no próximo trem de mercadorias?
ou todas as riquezas da alma vendidas numa qualquer Feira da Ladra?
ontem parou de vez, consequência duma peça defeituosa
soltou-se do pulso no qual marcava a cadência que o orientava ...
todo o tempo carece duma âncora ...


Luíz Sommerville Junior, 030820132343


Montanha que viu (o que todo mundo já viu)

Postado: Daniele Dallavecchia On quinta-feira, agosto 01, 2013 1 Carinhos de Luxo




Na qualidade de copiar
era soberana
no quesito plagiar
era mestranda
Sem elegância, 
sem distinção
lia, tecia, comia
linhas e linhas de versos
mas tudo saia ao inverso
do que sua mente doentia
tanto apetecia
Sem postura ou educação
lia, relia, mexia, remexia
com ou sem razão
nada tinha ela
nada era ela
mas tudo queria ser
que não fosse ela
presente ou passado
não se desprendia...
se corruía,
mal amanhecia o dia
não conseguia
seguir adiante
ser aliciante
parar um instante...
pensar num futuro 
- distante -
não, ela não...
pois não tinha aptidão
para poesia, para a seda, para o suave
não havia naquela pena
tinta nem talento
só uma cabeça de vento
não pensava na dor que causava
tanta deselegância
(Ó maldita petulância)
Apenas nas páginas do nosso pensamento
sentia deveras calma
aliviava a alma...
tão dependente de nós
e eu e ele
já sabíamos que entre nossas letras
a traça
que trapaça
nunca liga se ultrapassa
qualquer limite
ela nunca desiste
contanto que nos imite....

(o elogio dos outros era para ela maior que qualquer ética ou moral,
mas há de se ter perdão, pois ela não sabe o que é educação)

Daniele Dallavecchia