Távola De Estrelas

Távola De Estrelas

Poesia Do Céu Da Boca

* Sempre DS*SD erpmeS *

Távola De Estrelas, Poesia Do Céu Da Boca, Para Mastigar Devagarinho, Deve Ser Servida À Noite E Acompanhada Dum Bom Vinho Tinto...

Soneto Ao Exagerado Amor

Postado: Daniele Dallavecchia On quarta-feira, junho 29, 2011 1 Carinhos de Luxo


Um lindo dia me acordou esta manhã,

um dia com gosto de amor e de paz.

Era você em meio a uma saudade vã

deste amor que nunca se desfaz...



Um dia longe do teu peito é capaz

de tornar-me melancólica pelo afã

da tua volta, posto que minha alma faz

esta saudade ser infinita até amanhã.



Teu amor, luz divina que me fortalece,

liberta meu corpo cansado de toda a dor,

alma dionísica, tocando estrelas no ar,



Teu amor, cultivado dia-a-dia como prece,

onde sigo como o rebanho ao guardador,

que não pensa, segue por qualquer lugar.


Daniele Dallavecchia


7711 Rosas Movidas a Vento

Postado: ★♡ JouElam e Dallavecchia ♡★ On terça-feira, junho 28, 2011 1 Carinhos de Luxo




"Sabem"
os teus olhos,
guia dos meus dias,
erguer o facho olímpico
que acende as estrelas,
bússola do meu destino,
que são sorrisos e beijos,
a aquecer minha alma,
cordão de luz infinita,
ocidente e oriente do nosso amor,
milhares de kilómetros,
oceano de lágrimas,
dividindo nossas vidas,
guardando um futuro
d'esperança...
dobrando a magia dos números,
7711 motivos para te buscar,
quatro digitos qual quatro letrinhas,
bordando o amor
que pulsa nos meus olhos,
vibração de todos os poros
que (te) vêem flor,
música do meu ser,
ternura oceânica,
balé d'encantos
no carinho do céu...
saia d'astros iluminados
que ...
abençoa
o pronome
teu

Dueto Luiz Sommerville Junior & Daniele Dallavecchia, 27 de Junho 2011


Três Santos

Postado: Luiz Sommerville Junior On domingo, junho 26, 2011 0 Carinhos de Luxo



o dia que não há,
em confidência de guitarra
primorosa execução da lágrima
que cantava
do passado a prisão
mas de plangente cegava
ao futuro do qual abdicava
falava, falava...
- toma cuidado com o arco-íris!
ó ignorante cabeça-de-vento
que do inverno filho fui
e das suas tempestades
alimento sou
como desamarrar
a minha escola encerrada
abrir as portas dela à primavera
e afogá-la, afagá-la
do chão até ao tecto
e da entrada até à saída
-porta irmã dos pés-
com todos os que se foram
e com todos os que chegam
nos livros que morrem
- folhas caídas, ó Garret ! -
nas prateleiras
onde mão alguma alcança
-e tantas são as estendidas!-
a página em que Camões é mudança ?
então cantam-me baladas
e trovas !
mas não escuto em alguma delas
as boas-novas
ah , esta multidão amordaçada
quase à beira da glória, sufocada!
e o que há d´errado no verbo haver
que o seu imperativo
não se faz império do irá-acontecer?
Agradeço-te , ó ventania
a saudação da tua bandeira
na janela e nas varandas
Saúde-te ó mural
em todas as praças
afinal sou irmão das desgraças
mas jamais serei gémeo
das costas viradas, dos ombros encolhidos
somos ou não
os escolhidos?
Fui no teu olhar
quando o cacilheiro
ainda não vencia a outra margem
mão fui quando o Cristo-Rei
era o Rimbaud da minha janela
ou quando me enganei
e caligrafei Alameda
in lapsu
Almada - era o que eu pensava!
Cena Do Ódio?
Ai ... o amor é assim
com toda a raiva a marchar
desfile marcial de beijos a despertar
perdi-me ...
lá ...
na torre
nem Tombo, nem tumba
Belém em esquece-a-aldeia
e vem pró universo de Medeia
e já que perdido
permaneço ...
do Chile que é namorado da Graça
e Mouraria que a todos abraça
elejo o meu rei
a minha rainha
princípe e princesa
toda a minha corte
no voto em que repudio
os novos que são velhos
Restelo
quero das noivas de Santo António
os noivos de São João
casando nesta nação
o sul ao norte
e ambos ao centro do altar
português
vai lá , vai
vem cá , vem
há uma palavra
- sim ! -
aliança
ou ...
sangue ...
ourives fui...
das Tormentas
e faço questão de lembrar
o que jamais devemos esquecer:
não mudamos o nome do Cabo
para Boa-Esperança ?

Lá para o fim ...
serei romeiro na Quinta Grande
água fresca perfumando
a despedida de junho
três santos, ou três Reis Magos
três chaves das nossas aldeias
e cidades
curando os corações
das presentes enfermidades ...
e ainda que chorem
a fragilidade dos sorrisos
a boca demarcará a fronteira
no lábio inferior - é aqui !
no lábio superior - atreve-te !

urgente:
o beijo espera-nos...



Luiz Sommerville Junior, 010620111251