Távola De Estrelas: à Dani

Távola De Estrelas

Poesia Do Céu Da Boca

* Sempre DS*SD erpmeS *

Távola De Estrelas, Poesia Do Céu Da Boca, Para Mastigar Devagarinho, Deve Ser Servida À Noite E Acompanhada Dum Bom Vinho Tinto...
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Caligrafando Dallavecchia

Postado: Luiz Sommerville Junior On domingo, agosto 24, 2014 2 Carinhos de Luxo


Um dia 
vi a minha morte
podia ser o título
de uma poesia
mas era tão horrível
que chamar-lhe 
rodapé de cinzas
seria um elogio

Nesses dias sombrios
vi também, o meu cadáver
mais de cinquenta anos
de ossadas enterradas
num cemitério de sonhos
mas ainda
estou aqui
- é a minha vida!

e...

Porque acreditei e acredito
no milagre
tu surgiste e és
a profecia anunciada
no dia em que eu nasci
amo-te
até que um outro dia
até que uma outra hora
a minha morte
liquide todos os movimentos
e eu abandonado
ao vazio do meu corpo morto
preencha o espaço
(desconhecido?)
dentro do mundo
onde buscarei desesperadamente...
o interior do teu olhar
e então
pela primeira vez deitado
no teu vestido feito de estrelas
a luz da tua divina criação
escreverá nas galáxias
o nome que adoptei
para que
o meu e o teu lado
sejam eternamente
o universo
brindado
no big-bang
do teu ser amado.



Luiz Sommerville Junior(Por dupla consoante e dupla vogal recuperado), 23082014,19:59 

Obrigado, amor!



Luis Sommerville Junior, Antologia , 1964-2014


Do Sangue Que Me Corre Em Tuas Veias

Postado: Luíz Sommerville Junior On terça-feira, março 05, 2013 0 Carinhos de Luxo

Meu doce amor
fiquei tão triste , hoje e ainda ...
será que o papel e tinta
que me ensinaram
serem a essência de tudo o que é vida
- acredita-se que Deus escrevia
antes de criar o mundo-
ditaram a sentença
que (me) matou a palavra desenhada?
e palavras são águas caligráficas
que a boca aprende , trémula e sequiosamente ,
a sorver no mais sagrado rio :
- o leite materno !
e palavras são ventos , ar ! ,
que os ouvidos aprendem a escutar
no mais belo espaço :
- o lar !
porém , minha única ,
cada letra que digito
estremece-me , quase até rebentar ,
como um terramoto
esventrando a terra ,
e , ó amor , não é a terra
é o meu corpo
(este meu corpo que me falta)
porque é teu
porque vive , ó sombra ! ,
abraçando desesperadamente
o mais pequenino sinal
da tua presença , ó sol !

(talvez apenas o delírio seja real...)

Entretanto ausente de entre
e vazio de tanto
fiquei tão triste , hoje e ainda ...
porque ....
tenho papel , tenho tinta
mas não sei escrever(te)
as lágrimas felizes que viajam neste dia
nem as ideias banhadas pela sagração da tua imagem
muito menos o sorriso do caminho
em que tu és eterno jardim de estrelas
(acredita-se que as flores são Deus
labutando com os astros pelo equilíbrio do universo)
alongo-me , minha querida ,
nesta estrada vertical
que por vezes vira retrato
quebrado no chão duma casa em ruínas
e deste amor que de tão profundo e imenso
reduz todo e qualquer infinito
ao infinitamente pequeno
que foi que a minha (in)capacidade
de soletrar verbos carinhosos , num ápice e antítese ,
(não)te transmitiu ?
talvez ...
do leite e do materno
do ar e do lar os seus ventos
eu nada tenha aprendido...

se calhar nenhum de nós nasceu para aprender ...
se calhar ... nascemos , somente , para nos encontrarmos
e ...
não é isto muito mais do que o bastante ? ...




À Dani





 

Teu



Luiz Sommerville Junior , 050320130756


A Tua Carne É Feita De Livros

Postado: Luíz Sommerville Junior On quarta-feira, setembro 19, 2012 2 Carinhos de Luxo


Na perfeição do seu coração
vivia
a deslumbrante sabedoria
da mais monumental Alexandria
por vezes sentava-se sobre os livros
como se fossem o parapeito do mundo
e daí contemplava
o vasto céu das palavras
se por acaso uma letra
surgia desordenada , que atrevimento !
d´imediato se ouvia a expressão :
- aqui há gato !
-que não - sustentava o fugitivo
que era rato -
que os cães não possuem
o mistério e a liberdade
que habita na alma do felino !
- acreditava -
mas a grande admiração surgiu
quando conheceu Balzac
"incrível ! o homem escrevia em poucas horas
vários lençóis de vocábulos
léxico de luxo
e vivia como um miserável !"
graças à bondade severa ,
avara, da sua execrável mãe
que de carne pouco tinha
e de pau tudo lhe sobrava
coitado !
A Mulher De Trinta Anos
tardava a sorrir-lhe
porém , sua paixão absoluta
era o cérebro de
Assim Falava
vira-o verter lágrimas de sangue
à medida que a boca de Zaratustra
ganhava corpo no papel que aprumava a oratória
- ó quanta adoração
ela sentia por aquele alemão !

Todos os dias , com ,
dos mecanismos suíços - a precisão !
ela adormecia com um livro na mão
manhã seguinte
despertava
com uma tremenda e incurável enxaqueca
repentinamente lembrava-se :
adormecera com a cabeça
sobre uma muito estranha almofada :
- Os Maias de Eça de Queirós !
ó livro meu , que linda é tua cabecinha !


( O livro é uma ave
suas páginas são as asas
suas palavras são o motor - propulsão
e assim ... ela voa ,
ah , doce céu de meu coração)


Luiz Sommer (JouElam) 19092012

À minha Dan , Feliz Aniversário , Meu Amor
Adoro-te
Teu DS