Távola De Estrelas: poesia social

Távola De Estrelas

Poesia Do Céu Da Boca

* Sempre DS*SD erpmeS *

Távola De Estrelas, Poesia Do Céu Da Boca, Para Mastigar Devagarinho, Deve Ser Servida À Noite E Acompanhada Dum Bom Vinho Tinto...
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Tempestade

Postado: Luíz Sommerville Junior On quinta-feira, fevereiro 27, 2014 0 Carinhos de Luxo



Tempestade

Eu poderia ser
O vento que movimenta a barca
E o timoneiro
Que a governa até ao destino
Que é o fim
De tudo o que começa
E se vai embora
Ser como Magalhães
- seguir em linha recta !
Para regressar
A este (mesmo) lugar
À deriva



Luíz Sommerville Junior , 270220142301, Eu Canto o Poema Mudo


"Rodrigo´s Concert"

Postado: Luíz Sommerville Junior On sexta-feira, dezembro 28, 2012 0 Carinhos de Luxo

Se eu soubesse
o quanto a luz do sol
te magoaria
eu pediria
do tempo
o dia
em que os progenitores
do conhecer seriam
o não havia ! ...
É certo
que nenhum de nós rejubilaria
com a Sonata Ao Luar
mas isso que importaria
para a lua que eternamente há de namorar
com o gato
apaixonado de a contemplar ?



Luiz Sommerville Junior(JouElam) 281220120248


O Dia Em Que As Estrelas Choraram - Hiroshima 6 Agosto 1945

Postado: Luíz Sommerville Junior On segunda-feira, agosto 06, 2012 0 Carinhos de Luxo


Prólogo

Daquele solene minuto
que marcou os anjos nas suas asas
milhões de seres em perfeita normalidade, sonhavam ...
beijavam a bendita dádiva da madrugada
do dia que da vida a criança embalava
na doçura dos lençóis
os seres abraçados nos sóis entrelaçados
que no interior do calor a cintilar
germinavam nos ventres em cruz rosados
a perpetuar através dum instante
beijos d´ar nos poros a rasgar
as flores que no amor glorificam
o eternizar

Requiem

Mas , inesperadamente
como um ladrão violando a morada
no céu alastrou o fogo
que nos corpos a carne vaporizou
a chaga hedionda que gravou
fantasmas nas pedras da calçada
e , para quem não acredita
que o inferno é a Terra quando não amada
eis que o diabo naquele dia triunfou
duma só assentada
eis que suas chamas de laranja em implosão
rasgaram rios de sangue que secaram na barbárie
do leito profanado pela ciência ao comando
dos homens ao serviço do mais vil demando

De rastos , a verter pedaços do ser , - a desaparecer ! -
ele ainda tentou alcançá-la na janela
instantes antes de flores adornada
mas quando olhou - seus olhos queimavam por dentro do cérebro -
ainda vislumbrou entre o horror a sombra da sua amada
e num esforço descomunal murmurou, a falecer de dor :

- Hiroshima meu amor ...


Luiz Sommerville Junior , 080720111951


Solidão II

Postado: Luíz Sommerville Junior On terça-feira, julho 17, 2012 0 Carinhos de Luxo


"Solidão arrasta nove idosos para a morte em 12 horas"
In DN Portugal

Quando das palavras
aqueles que as glorificam
transformam-nas
em sorrisos d´infância
em baloiços de felicidade
em brincadeiras d ´enternecer
em jogos que são do lazer - alegria !
acontece - delas -
o que não podia
deixar d´acontecer :
- o momento melhor !

Mas , quando o ser
morre sozinho
sem ninguém
que o queira ver
não foram as palavras
que falharam
mas as presenças
que delas se ausentaram !

(e o divórcio das palavras não é o silêncio ,
mas a cegueira casada com a falsa semântica)



Luíz Sommerville Junior , 170720121701


Da estátua sem autor

Postado: Daniele Dallavecchia On sexta-feira, julho 06, 2012 0 Carinhos de Luxo


Tenho uma espada afiada,
e dói-me tê-la na ponta da língua,
pois assim como corta
levemente a tua falsa carne
quando ousas me falsear,
covardemente e de soslaio
às pombas que te defecam a cabeça,
minha boca sem trégua
manda-te logo à merda!
O calor gélido da tua encenação,
alma de tristeza, invenção!
pois sei que as poucas aves
que te rodeiam
são trazidas pelos velhos solitários
sentados nos bancos das praças
admirando o tudo e o nada...
Não me controlo diante de ti,
tenho tanto dó , Ó, Ó, Ó!
és tão sem importância, tão estática
que me dói todo o corpo
por não poder gritar-te a verdade,
(escancarada)
não percebeste ainda
não és de sangue, osso e carne!
(és feita de maldade)
e se minha boca sangra
e meu corpo desfalece
é porque o que em mim
ainda prevalece
é a compaixão que por ti tenho
pois sei que tua inteligência
é do tamanho da tua estatura,
ó pobre criatura!
não tens massa cinzenta, és oca,
vazia e nada benta.
Ver-te faz-me sofrer,
és tão coitadinha,
sempre te deixam marcas as andorinhas,
não posso dizer-te
a realidade
explicar o teu (in)significado
seria insuportável para a tua altivez
(ou falta de lucidez?)
pois és a maior invensão de ti...
Não, não estou a zombar ou a rir
não tenho tal autoridade,
não te pari,
mas meu peito dilacera-se
porque és feita do gesso mais barato
e foste muito mal feita, ó raio!
pela preguiça do teu criador,
inexperiente escultor...
logo hás de desfazer-te em pó,
cal, terra e mais nada!
Mas o que mais me apieda,
quando vejo tua face fria
é saber,
Ó pobre estátua,
que por mais que queiras
(i)mortalizar-te
nunca saberás
o que é de fato
o calor verdadeiro,
o bater enlouquecido
dum coração
realmente humano.



Daniele Dallavecchia, 06072012,1:51