Távola De Estrelas

Távola De Estrelas

Poesia Do Céu Da Boca

* Sempre DS*SD erpmeS *

Távola De Estrelas, Poesia Do Céu Da Boca, Para Mastigar Devagarinho, Deve Ser Servida À Noite E Acompanhada Dum Bom Vinho Tinto...

SOBRE O AMOR

Postado: Daniele Dallavecchia On sexta-feira, dezembro 03, 2010 2 Carinhos de Luxo


























Não sei falar sobre o amor,
embora o tenha tentado em meus poemas,
porque o amor não é para ser falado,
o amor é para ser vivenciado!
Nunca tentei compreender o amor,
pois compreender o amor
é racionalizá-lo, é diminuí-lo,
e amor não é assunto da razão,
é mistério sacro do coração.
O amor está na natureza
e em todo o seu colorido,
encantando-nos a vista e a alma.
Entre o beija-flor que se enamora da flor
e esta, sem protestar, entrega seu néctar.
No vento que nos refresca a fronte
sem nada cobrar... Por amor!
Na nascente que doa sua água
e alimenta os rios e seus afluentes.
Não, não dá para descrever o sentimento
intenso e profundo que é o amor.
Por mais que os poemas que nos derretem
o coração tentem, não conseguem alcançar
a plenitude que há nesta emoção.
O amor não foi feito para se pensar nele,
mas para que duas mãos, no calor de um
enlace, pudessem descobri-lo.
Para que duas bocas, acelerando os corações,
pudessem senti-lo.
Para que dois corpos, unidos num só,
pudessem contemplá-lo e agradecê-lo,
por terem subido às portas dos céus
e beijado às faces rosadas dos anjos.
O amor assim se faz, assim o é.
Para que se salvasse mesmo o mais
irremediável entre os homens.
Para que se vivesse, sonhasse e morresse de amor.
Eu também vivo o meu amor
e é por isso que não o sei expressar no papel,
à sua altura, pois sentimento tão sublime,
não há como cantar em versos.
É como tentar mostrar a fé ou o milagre.
É como tentar ensinar alguém a acreditar em Deus!... Mas
Deus não se permite ensinar, porque
Ele precisa aflorar na alma, no âmago de cada um.
E sendo o amor, sentimento divino,
não nasce de fora para dentro,
mas de nós para o outro.
Porque quem ama, não sabe por que ama,
não busca explicação na química ou fisiologia.
Quem ama, ama o amor e sua sensação;
quem ama, sente-se superior, especial.
E por ser mágico, o amor nos proporciona
o prazer indescritível de estar pleno e uno
com Deus e o universo.

Daniele Dallavecchia


Coisas Simples

Postado: Daniele Dallavecchia On terça-feira, novembro 30, 2010 0 Carinhos de Luxo

Das coisas simples
a mais simples
é tão simples
que não é coisa
não é simples
não
é


Da afirmativa
nasce
a negação
nega
acção
ou da coisa que é
não
a constatação
que a via do não
é igual a lado algum


Ou pelo roteiro do sim
aporta o ser
a calar o saber
esperar
certa a hora
certa a pessoa
do embora que é ir
que é agora
é que é
em pé !
 
 

Luiz Sommerville, 30112010958



A Via Crucis do Nosso Amor

Postado: Daniele Dallavecchia On segunda-feira, novembro 29, 2010 2 Carinhos de Luxo


Sim, amor,
teus versos estão bordados
com as lágrimas que derramei.
Minhas palavras escondem
o sentimento real do meu coração,
e a dor trafega pelos dois lados...
Foi você quem quis assim,
viu somente uma face da moeda,
não ouviu nada de mim,
analisou, julgou e me crucificou
na cruz cega da tua (in)justiça.
Jogou fora toda a minha doação,
guardou cada palavra, minha ou não,
desperdiçando todo amor que guardei só para ti.
Orei a Deus te iluminasse o pensamento atordoado,
Mas apelaste, no altar da tua ilusão, a um santo
que eu não conhecia,
que diz que a dor garante um lugar ao céu...
E foi neste altar criado, 
para um santo de carne e osso,
que sacrificaste a nós dois!
Mas Deus não pede morte,
Deus é forte (superação)!
Deus não pede rancor,
Deus é amor;
Deus não pede aversão,
Deus é perdão;
Deus não pede vingança,
Deus é esperança...
E se no princípio era o verbo,
por que ficaste tão mudo? 
Sim, amor,
arrancaste todas as flores do nosso jardim,
apagaste, com tua cegueira,
cada estrela do nosso céu...
E o que ainda queres de mim?
Eu que, sem ti, sou só
um caminho sem rumo...
sem ti, não me acho, 
não me aprumo...
Quando foi que o teu ódio
habitou de vez a nossa casa?
Não amor, essa dor não passa,
trespassa,
a minha carne que é tua
só tua...
E seguimos a vida assim,
em vão,
em dor,
em tristezas,
sorvendo a desilusão,
sem saber para onde fugir,
sem saber como esquecer,
aquilo que o tempo nao apagará:
a lembrança 
do nosso amor perfeito!


Daniele Dallavecchia