Távola De Estrelas

Távola De Estrelas

Poesia Do Céu Da Boca

* Sempre DS*SD erpmeS *

Távola De Estrelas, Poesia Do Céu Da Boca, Para Mastigar Devagarinho, Deve Ser Servida À Noite E Acompanhada Dum Bom Vinho Tinto...

Egocêntrico

Postado: Luíz Sommerville Junior On sexta-feira, março 08, 2013 3 Carinhos de Luxo


Todo o poeta
é um egoísta
quando morre
imagina todo o mundo a chorar
por ele
para ele voltar à Terra
imagina ele ,
todo o mundo lendo as suas poesias
como se ler matasse a fome de pão
como se ler salvasse os pobres de condição
ou como se escrever tornasse imortal
a videira do meu quintal
quando eu morrer
o mais que poderá acontecer
será o infinitivo do verbo
esquecer !
todo o poeta é um egoísta
queria ele que a mulher sofresse
a solidão de todos os tempos
para se consolar
e poder afirmar
a minha querida é minha
mesmo depois da vida !
quanta presunção
habita no estranho coração
do poeta
que pode ou não
ser
como se na Terra
não houvesse mais nada para fazer



Luiz Sommerville Junior


* Imagem da pintura Narciso de John William Waterhouse 


Do Sangue Que Me Corre Em Tuas Veias

Postado: Luíz Sommerville Junior On terça-feira, março 05, 2013 0 Carinhos de Luxo

Meu doce amor
fiquei tão triste , hoje e ainda ...
será que o papel e tinta
que me ensinaram
serem a essência de tudo o que é vida
- acredita-se que Deus escrevia
antes de criar o mundo-
ditaram a sentença
que (me) matou a palavra desenhada?
e palavras são águas caligráficas
que a boca aprende , trémula e sequiosamente ,
a sorver no mais sagrado rio :
- o leite materno !
e palavras são ventos , ar ! ,
que os ouvidos aprendem a escutar
no mais belo espaço :
- o lar !
porém , minha única ,
cada letra que digito
estremece-me , quase até rebentar ,
como um terramoto
esventrando a terra ,
e , ó amor , não é a terra
é o meu corpo
(este meu corpo que me falta)
porque é teu
porque vive , ó sombra ! ,
abraçando desesperadamente
o mais pequenino sinal
da tua presença , ó sol !

(talvez apenas o delírio seja real...)

Entretanto ausente de entre
e vazio de tanto
fiquei tão triste , hoje e ainda ...
porque ....
tenho papel , tenho tinta
mas não sei escrever(te)
as lágrimas felizes que viajam neste dia
nem as ideias banhadas pela sagração da tua imagem
muito menos o sorriso do caminho
em que tu és eterno jardim de estrelas
(acredita-se que as flores são Deus
labutando com os astros pelo equilíbrio do universo)
alongo-me , minha querida ,
nesta estrada vertical
que por vezes vira retrato
quebrado no chão duma casa em ruínas
e deste amor que de tão profundo e imenso
reduz todo e qualquer infinito
ao infinitamente pequeno
que foi que a minha (in)capacidade
de soletrar verbos carinhosos , num ápice e antítese ,
(não)te transmitiu ?
talvez ...
do leite e do materno
do ar e do lar os seus ventos
eu nada tenha aprendido...

se calhar nenhum de nós nasceu para aprender ...
se calhar ... nascemos , somente , para nos encontrarmos
e ...
não é isto muito mais do que o bastante ? ...




À Dani





 

Teu



Luiz Sommerville Junior , 050320130756


Destempero do Ser

Postado: Daniele Dallavecchia On sábado, março 02, 2013 0 Carinhos de Luxo



A noite desce encobrindo a rua
atormentando viúvas, sem dó
e em cada rosto molhado de tristeza
há um ser que não sabe como ser só.
Trafego pela rua solitária e sombria,
talvez pereça naquela esquina
suspirando toda nostalgia
de cada rosto triste, em agonia!
Os cães ladram sua canção noturna
e uma lágrima me corrói o sossego,
é demasiado o desespero
que pesa o dia e carrega a noite,
em cada olhar um ai de saudade
pelo que se foi e pelo que não há mais de vir,
quanto mal há em todo esse desterro!
Uma data, um rosto, um nome, uma palavra
dita, não dita, mal dita
sempre há injustiça no não saber
do momento finito, derradeiro
em que o adeus chega como um tapa
vento forte, implacável... e tão traiçoeiro.



Daniele Dallavecchia