Távola De Estrelas

Távola De Estrelas

Poesia Do Céu Da Boca

* Sempre DS*SD erpmeS *

Távola De Estrelas, Poesia Do Céu Da Boca, Para Mastigar Devagarinho, Deve Ser Servida À Noite E Acompanhada Dum Bom Vinho Tinto...

Por Detrás Do Silêncio

Postado: ★♡ JouElam e Dallavecchia ♡★ On quinta-feira, junho 23, 2011 2 Carinhos de Luxo





























Dói-me a água nas nascentes
que me verbaliza
mas não a ponto
de paralisar-me os pensamentos...
dói-me o ar magoado, chaga ,
que me conjuga
mas não a ponto de matar-me
ou d´apagar a luz que me guia
amor !
dói-me o pão amassado
meu substantivo !
mas não a ponto de ser irrecuperável
forma, bailado, sagrado, calado...
e ...
dói-me o vinho na videira
pela vida inteira !
sangue
que me isenta
os pecados ,
trazendo unção verdadeira.



Dueto: Luiz Sommeville Junior & Daniele Dallavecchia


Equinócios Com Solsctícios No Ventre

Postado: Luiz Sommerville Junior On terça-feira, junho 21, 2011 4 Carinhos de Luxo



É verão e inverno também
há manhãs aos montinhos
acolchoadas nos cestinhos
dos frutos
que perfumam as mãos
que dançam nas praças
e há noites de chuva, vento
e trovões
adornando a tua camisola de lã
chegam em ternuras de crochet
são prenúncios e pronúncia
prólogos , preâmbulos,
sinónimos que escrevem
o livro duma só história...
É verão mas podia ser outono
é inverno mas é primavera também
por que o que acarinha as estações
é o tempo todo
em que num só ano
a flor
do meu peito
é pelas décadas, pelos séculos,
amor transitivo e reflexo
de nossas almas irmãs
beijos em lacinhos
da nossa flexão verbal

É Carnaval , é Natal
e São João também
Festa!

E tudo isto que universo é
em hinos do rouxinol
em cânticos da rosa
no leito ...
em que Vivaldi nos sorri 
para ti - que sou eu
para mim - que és tu
que somos nós
a música! 



Luiz Sommerville Junior, 21 Junho 2011,13:15



Sina (Lendo Camões)

Postado: ★♡ JouElam e Dallavecchia ♡★ On domingo, junho 19, 2011 4 Carinhos de Luxo

Camões, falece a cada vez que a mudança morre na vontade dos homens.
Neste todo o tempo de nada adianta trocar os homens cuja vontade é nada mudar.
Para que se mudem as vontades,- urgentemente - é preemente espalhar o sopro
imperativo declamado com as mãos: - mude-se o tempo!


LSJ, relendo Camões hoje, 100620112020


O seu vermelho escorre
nas penas de tinta e mola
das infames garras
que na desgraça se contentam
dos escribas palacianos
que têm leis nas mãos
e amuletos cristãos ao pescoço
como se amar
seja sinónimo do emblema da corte
ou antónimo de D. Afonso I !...
Ei-lo , de novo,desterrado!
jogado às galés!
tudo por uma palavra
tudo porque a semântica
da epopeia
a fonia do soneto
ou a redondilha maior
na sintaxe dela
galga muros,marés e fronteiras
palavras de aventura e aventureiras
e porque sabe cantar como ninguém,
a vida que da alma chama
o amor que o peito reclama
os povos e crenças que a Língua une
tem de morrer em terra insana
"amor é fogo que arde sem se ver"
e as palavras,aquelas...
que ninguém quer escrever
carregadas do mar com o seu sal
Portugal, Portugal !
que de certos portugueses
tão incertos nas vezes
"não reza a História sagrada"
é com palavras que se pescam peixes
é com palavras , é com palavras
é com palavras , é com palavras
que se imortaliza a terra
mas nesta mudez falada
de tanta vez condenar ao desterro
o nosso Luiz Vaz
as palavras, palavras, palavras
desertam, escapulem-se das páginas
e aos olhos e às mãos
salta um livro de nada
aos riscos, sarrabiscado
aos riscos...
sarrabiscado...
com as penas de tinta e mola
dos escribas...

tem peixes em terra
e homens no ar
estranha condição
de tanto trocar
o direito e a razão!

Luiz Sommerville Junior