Távola De Estrelas: social

Távola De Estrelas

Poesia Do Céu Da Boca

* Sempre DS*SD erpmeS *

Távola De Estrelas, Poesia Do Céu Da Boca, Para Mastigar Devagarinho, Deve Ser Servida À Noite E Acompanhada Dum Bom Vinho Tinto...
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O Silêncio Das Estátuas

Postado: Luiz Sommerville Junior On quinta-feira, outubro 09, 2014 2 Carinhos de Luxo



Preciso tanto descansar...
deitar-me a repousar
sobre a terra ...
abraçar o céu
beijar o mar
aí ...
só para eu ter a certeza
que a lua que dança nesta cidade
de cais embriagados pelas pontes
é a mesma
que se noivou com o Sol

nesse tão longe
que é o mais perto
deste mim
a repousar...
o meu destino...
agora!

Abre tuas mãos, meu amor,
solene coração de seda,
e... sente ...
o tombar ...
da coluna marcial
a fechar...
o círculo
mudez do meu gritar
combate!
ah, se houvesse força para lutar ...
mas aos milhares...
os velhinhos e as crianças dobram os joelhos
erguem aos céus os seus olhares
e ... oram ...
escuta-se ao longe o cheiro do fumo ...
um cavaleiro rodopia
no campo de batalha
ainda vocifera:
- vencemos! -
coitado, não enxerga
que é dono dum deserto...
baixinho, quase inaudível,
o murmúrio uníssono do hino
abraça a cruz de Deus
rogando por piedade ...
e... todos se foram ...
Cristo ?
Quem sabe quando e se Ele voltará...

Entretranto, minha querida,
arranco do meu peito
o medalhão que te ama
abre as tua mãos , meu amor,
e vê como brilha o ouro
desta minha invisível oferenda ...
sou teu
hoje e para sempre
ainda escuto os metais
inventados para serem donos
da carne que dilaceram
já se ergue a bandeira
dos que venceram
os derrotados...
não morreram
beijaram o sagrado
abraçados ao chão
descansam...
ao meu lado ...

... nos três volumes de História Universal ...





Luiz Sommerville Junior, 280620112044

in Olhares


Maio de Olhos Vendados

Postado: Luiz Sommerville Junior On quinta-feira, maio 01, 2014 1 Carinhos de Luxo



em todas as madrugadas, companheiros,
há um sol que morre estampado numa nota
sem valor
e para que a luz volte a definir o dia
do que não mais regressará
é necessário que o medo,
também possa vender-se
por uma qualquer moeda
desvalorizada
e a coragem,ou a loucura de combater sem pensar,
se aposse de todos os valores
velhos ou novos
carregados de rugas que sejam o festim dos anos
carregados de recém nascidos que sejam o alvorecer
duma nova casa ....
delírio-sinónimo das estrelas que eu não sei pintar
em todos os crespúsculos
há uma lua sem fundamento
que voa sem rede que a possa amparar
que já devia ter morrido...
em verdade, companheiros,
como pode a lua surgir no céu
quando o sol de vendido
é apenas uma cega recordação?...



Luíz Sommerville Junior, 240320130601



* Imagem do filme 1984


Tempestade - Reeditado

Postado: Luíz Sommerville Junior On sexta-feira, fevereiro 28, 2014 0 Carinhos de Luxo




Jamais poderei ser
O vento que movimenta a barca
Jamais poderei ser o mar
Em estradas d´água
Que foram a invenção de novos mundos
Jamais poderei ser o timoneiro
Que governa a canção dos marinheiros
até ao destino
Que é o fim
De tudo o que começa
E se vai embora
Jamais poderei ser como Magalhães
- seguir em linha recta!
Para regressar
A este (mesmo) lugar
Com uma nau desfeita
E suas velas e bandeira
irreconhecíveis , de dilaceradas
À deriva



Escrito ontem 270220142301
Reeditado hoje 280220141601


 Luíz Sommerville Junior , Eu Canto o Poema Mudo


Memória de Quieta Inquietação

Postado: Luíz Sommerville Junior On sexta-feira, janeiro 17, 2014 0 Carinhos de Luxo





Meu amor

e se

amanhã

acordarmos

ao som

celestial

da bomba

atómica ? ! …


 


Luiz Sommerville Junior, 1973


Maio De Olhos Vendados

Postado: Luíz Sommerville Junior On domingo, março 24, 2013 2 Carinhos de Luxo




em todas as madrugadas, companheiros,
há um sol que morre estampado numa nota
sem valor
e para que a luz volte a definir o dia
do que não mais regressará
é necessário que o medo,
também possa vender-se
por uma qualquer moeda
desvalorizada
e a coragem,ou a loucura de combater sem pensar,
se aposse de todos os valores
velhos ou novos
carregados de rugas que sejam o festim dos anos
carregados de recém nascidos que sejam o alvorecer
duma nova casa ....
delírio-sinónimo das estrelas que eu não sei pintar
em todos os crespúsculos
há uma lua sem fundamento
que voa sem rede que a possa amparar
que já devia ter morrido...
em verdade, companheiros,
como pode a lua surgir no céu
quando o sol de vendido
é apenas uma cega recordação?...



Luíz Sommerville Junior, 240320130601


Falha Sensorial

Postado: Luiz Sommerville Junior On terça-feira, fevereiro 19, 2013 3 Carinhos de Luxo






andam
pela terra em mãos
d´azuis sem céu
bebem, comem,gozam
e dormem
em corpos de carne
sem alma
parece que também falam
prosas corroídas disparadas para o vácuo
não ouvem ninguém
escutar é demasiado
para tão ilustres cérebros
de ouvidos desconectados dos tímpanos
têm antenas ligadas a um só canal
o ego do poder e o poder do ego
sem exclamações - nossas !
e com todas as admirações - deles !
dos seus grandiosos feitos
que de tão pequeninos e insensíveis
são a desgraça em fila de espera
- sopa dos pobres ! -
e morte abrupta , antecipada
de tantas vidas
que ainda não viveram
mas eles persistem no querer
auditórios cheios
para as suas surdas e mudas retóricas
tempo em que é urgente ver
alargar a visão
mas eles, que vêem tudo,
trocaram os olhos
por estranha e mui moderna telepatia ,
comunicam-se pela via da insensibilidade
será que não possuem o cheiro ?
do tacto já muitos sabem
que o cambiaram por tudo o que é imóvel
e do resto ...
e do que resta ...
falta o que faz mais falta ...



Luiz Sommerville Junior , 190220121216


Dos Que Se Vão

Postado: Luiz Sommerville Junior On segunda-feira, fevereiro 18, 2013 0 Carinhos de Luxo



"Que um fraco rei faz fraca a forte gente."
(Luíz Vaz de Camões,in Os Lusíadas)

Dos Que Se Vão 

Pegou na mochila
Carregada de estrelas adoecidas
De planetas descalços
De terras enfurecidas p´la influenza
De mares e marés sem abrigo
De céus em bocas famintas
D´ ares prenhes em sufoco
E ...
E ... partiu...

Não sabe quando
Nem se voltará
Não sabe se algum dia
A mochila repousará

Apenas tem a certeza
Que a lua solitária
Se deita com ele
Circunscrevendo as suas margens
Desprezando
O nascer do sol
Justamente , dentro da cavidade
Onde o gelo repousa ...


Luíz Sommerville Junior



"No contexto sociopolítico actual, porém, ainda antes do direito a emigrar 
há que reafirmar o direito a não emigrar, isto é, a ter condições para permanecer 
na própria terra, podendo repetir, com o Beato João Paulo II, 
que «o direito primeiro do homem é viver na própria pátria."


Bento XVI, Mensagem para o dia mundial do Migrante e Refugiado (2013).


Noite De Reis ... Ou Aquele Que (Não) Sobra

Postado: Luíz Sommerville Junior On sábado, janeiro 05, 2013 1 Carinhos de Luxo



Um , dois , três
Reis
ouro , incenso e mirra
seis
fome
sede
e frio
nove(s)
- aquele que morre -
fora nada
zero ...



Luíz Sommerville Junior , 050120132304


Filhos Da Intempérie

Postado: Luíz Sommerville Junior On terça-feira, agosto 14, 2012 0 Carinhos de Luxo

Foram-se todas as madrugadas
- agarradas !
de mãos dadas , quais irmãs gémeas
de todas as noites
- despedidas !
e o que resta ?
um exército de nuvens sombrias
pairando ...
à espera
duma explosão de gritos
e todos sabem , mas não confessam
que as mães apenas têm nas mãos
duas conchas de chuva
que os pais regressam a casa
com o corpo carregado de vento
e ... os filhos dos cravos
são filhos da tempestade
próxima

(Para onde vai a alegria
quando as sombras sorriem ?)


Luíz Sommerville Junior (JouElam) , 140820120040


Balada d´Ausência -Ao Abril que (não) Foi-

Postado: Luíz Sommerville Junior On sábado, junho 30, 2012 0 Carinhos de Luxo


Inquietação
dos braços em rosas
das rosas entrelaçadas
que queimavam
no regaço de Deus
era terra prometida
nas mãos do povo
eram os cravos que se davam
os abraços que voltavam
os beijos que renasciam
os sorrisos que enterneciam
as refrões que nos moviam
mas não , não eram os cravos,
-que não eram rosas, que não eram rosas!...-
são angústia
das vidas desesperadas
jardins num deserto ...
há uma lágrima que escorre pela madrugada
porque o sol tarda a nascer
e ninguém sabe
se a luz não volta mais
ou ... se ... foram ...
os nossos olhos que cegaram ...



Luiz Sommerville Junior , 300620122308


Intervenção : E ... (Despedida)

Postado: Daniele Dallavecchia On sábado, junho 02, 2012 0 Carinhos de Luxo


Em Portugal aumenta , em todas as classes etárias , de forma preocupante , o número de suicídios .

E ... (Despedida)

E ...
podemos gritar
mas é proibido
e ...
podemos chorar
mas é proibido
e ...
podemos rir
mas é proibido
e ...
podemos protestar
mas é proibido
e ...
podemos reivindicar
mas é proibido
e ...
podemos exigir os direitos
promulgados e consignados
mas ... - é proibido !
e ...
podemos cumprir as nossas obrigações
mas é ... - proibido !
e ...
temos os nossos deveres
mas ... é ... proibido ...
e ... afinal ,
que poderes nos proíbem ?...

E ...
a ti e a mim , em luta pelo Bem ,
com os olhos postos na liberdade
firmes na palavra
neste tempo controverso
nós ...

o pronome a quem esgotaram o corpo ...


Luiz Sommerville Junior , 0206201200:04


Moinhos De Sangue

Postado: Luíz Sommerville Junior On domingo, fevereiro 05, 2012 2 Carinhos de Luxo


Pudesse eu,ó lado que me és, paixão!
comer as pinturas daquele que chegou
para mostrar-me a essência de Dali
Pudesse eu, ó roda de tão sagrado querer!
beber as esculturas daquele que me abraçou
para dar-me o modelo de Rodin
e jamais haveria, da fome e da sede,os pobres!
que morrem depressa no relógio vagaroso, dos mandarins!
como iludir os estômagos carecidos d´alimento?
como camuflar os corpos desprotegidos do frio
quando dos palácios escorrem os (de)feitos egoístas
das vaidades egocêntricas?
um, dois, três!
três famosos toques unem-se num só:
"Dança Macabra", "Dança Do Fogo","Dança Das Horas"
Que culpa há nos artistas
que ergueram as grandes obras da humanidade
se o beijo que nasce nas searas
morre nas mãos dos senhores
que revestem os seus aposentos
com o tecido do papel-moeda?
e os irmãos... que são tão belos nessa tristeza
que despedaça os corações de quem ainda vê,
são almas sacrificadas pela vida de sonho ausente...
queimando à revelia
da água dos olhos que ainda se agitam
a fé num mundo bom de verdade

Entretanto ...
os poetas aprendem com Camões e Pessoa
o regresso a Alcácer-Quibir
os músicos aprendem com Beethoven e Mozart
a fuga para tão desventurada tocatta
e nenhum deles serve...
o cobertor para a multidão de desabrigados
e nenhum deles serve ...
a refeição às vítimas da fome
e nenhum deles serve...
o conforto aos afundados na solidão ...

Simplesmente és tu ...
a dança sem lamento,
por tardio que fosse,
dos que fecham os largos portões
à palavra que se queria substantiva:
- Amor !

(Percebes que é o singular
da segunda pessoa verbal
que torna real a primeira?)

Sim! Simplesmente és tu!



JouElam, 040220121819


Moínhos De Sangue

Postado: Daniele Dallavecchia On sábado, fevereiro 04, 2012 0 Carinhos de Luxo


Pudesse eu,ó lado que me és, paixão!
comer as pinturas daquele que chegou
para mostrar-me a essência de Dali
Pudesse eu, ó roda de tão sagrado querer!
beber as esculturas daquele que me abraçou
para dar-me o modelo de Rodin
e jamais haveria, da fome e da sede,os pobres!
que morrem depressa no relógio vagaroso, dos mandarins!
como iludir os estômagos carecidos d´alimento?
como camuflar os corpos desprotegidos do frio
quando dos palácios escorrem os (de)feitos egoístas
das vaidades egocêntricas?
um, dois, três!
três famosos toques unem-se num só:
"Dança Macabra", "Dança Do Fogo","Dança Das Horas"
Que culpa há nos artistas
que ergueram as grandes obras da humanidade
se o beijo que nasce nas searas
morre nas mãos dos senhores
que revestem os seus aposentos
com o tecido do papel-moeda?
e os irmãos... que são tão belos nessa tristeza
que despedaça os corações de quem ainda vê,
são almas sacrificadas pela vida de sonho ausente...
queimando à revelia
da água dos olhos que ainda se agitam
a fé num mundo bom de verdade

Entretanto ...
os poetas aprendem com Camões e Pessoa
o regresso a Alcácer-Quibir
os músicos aprendem com Beethoven e Mozart
a fuga para tão desventurada tocatta
e nenhum deles serve...
o cobertor para a multidão de desabrigados
e nenhum deles serve ...
a refeição às vítimas da fome
e nenhum deles serve...
o conforto aos afundados na solidão ...

Simplesmente és tu ...
a dança sem lamento,
por tardio que fosse,
dos que fecham os largos portões
à palavra que se queria substantiva:
- Amor !

(Percebes que é o singular
da segunda pessoa verbal
que torna real a primeira?)

Sim! Simplesmente és tu!



JouElam, 040220121819

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1º De Maio - Pela memória dos nossos apelidos

Postado: Luiz Sommerville Junior On domingo, maio 01, 2011 0 Carinhos de Luxo



ainda ontem
fomos as carruagens
dos comboio lotados de sonhos
que na pista accionavam multidões
o trem
sumiu...
as viagens
nas trilhas sem fim
dos nossos olhares
essas
não cessam
d´alastrar
no destino comum
dos nossos neurónios
mas
as serenatas nos lençóis abandonados
-o odor escarlate de violões , envelhecidos !-
silenciados ao mofo aprisionados , ninguém ...
... as ensaiava ...
lá onde a sereia morreu apaixonada
pelo capitão que trajava na lapela
um lenço bordado de lábios , cravados !
pelo batom que reflete a imortalidade
há quem lhe chame arma
há quem lhe chame flor d´abril
- é apenas a carne rasgada da traição
que ainda insiste em repetir o bordão
ou refrão duma só palavra
- revolução !
e ...
ainda é tempo
d´abrir os livros que são entradas
ainda é momento
de fechar aquelas bocas que jamais aprenderão
a beijar !
sim , vou rasgar o meu voto
à entrada da urna que sentencia o nosso funeral
sim , vou teimar no sonho na portada
do ventre que grita ensaguentado
pela luz - dia !
por que ...
os abandonados sem leito são hinos , rejuvenescidos !
onde o tudo o que é caduco morre para que soe a balada
abraçada ao perfume que da vida é libertada , alguém ...
a encarnará , aqui ... onde uma noiva se entrega ao castelo
d´útero aberto à formação daquele que da pátria faz a nação
e acena à boca amada com o lenço de gala
manchado com o lindo arabesco que das núpcias verteu
afinal , ontem , num lar dilacerado pelo divórcio , foi abril ...
e hoje numa terra engalanada pela boda da esperança
é maio ...
daquela menina que dá as mãos ao menino ,
sim , são pequeninos , são crianças
os olhos maravilhados que entregam aos noivos as alianças
e ela sorri e imortaliza-se no ouvido dele :
- sou tua ! sou a tua terra , e tu
estás disposto a ser o meu país ?





Luiz Sommerville Junior , 010520110741